El Niño mais intenso desde 1950
Fênomeno El Niño capturado pela Nasa • Sentinel-6 Michael Freilich/Nasa
El Niño pode levar 49 milhões à fome aguda, até 2027
Alerta ONU
A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou nesta quarta-feira (05) que o El Niño pode empurrar ao menos 49 milhões de pessoas para a fome aguda, até o fim de 2027. A projeção do Programa Mundial de Alimentos (PMA) eleva para 274 milhões o número de pessoas sem condições de atender às necessidades diárias de alimentação em 45 países vulneráveis.
O relatório estima uma alta de cerca de 22% no total de pessoas em insegurança alimentar aguda nos países analisados, de aproximadamente 225 milhões para 274 milhões. O PMA calcula em 81% a probabilidade de o atual fenômeno se tornar muito forte, com temperaturas no Pacífico nos maiores níveis desde pelo menos 1982.
O órgão considera que este pode ser o El Niño mais intenso desde 1950. O fenômeno deve atingir o pico entre setembro e dezembro, mas secas, enchentes, calor extremo e alterações nas chuvas podem afetar plantações e colheitas ao longo de 2027.
O El Niño representa uma enorme ameaça à segurança alimentar de milhões de pessoas que já vivem em situação de vulnerabilidade”, afirmou Carl Skau, diretor executivo interino do PMA. Ele defendeu ações antecipadas para proteger vidas e meios de subsistência antes da chegada dos eventos climáticos mais severos.
América Latina e África concentram os maiores riscos
A América Latina e o Caribe podem registrar mais de 16 milhões de pessoas adicionais em insegurança alimentar aguda, um dos maiores aumentos previstos. A América Central deve ter a maior alta proporcional entre todas as regiões avaliadas, de 83,1%.
No leste e no sul da África, mais de 18 milhões de pessoas podem enfrentar piora no acesso a alimentos, um crescimento estimado em 26%. A África Austral enfrenta risco elevado porque parte relevante de sua população depende da agricultura de subsistência movida pelas chuvas.
Na Ásia e no Pacífico, o PMA projeta cerca de 8,2 milhões de pessoas a mais em situação de fome aguda. A África Ocidental e Central pode ter aumento de 12% na insegurança alimentar, alcançando quase 6 milhões de pessoas, enquanto déficits de chuva ameaçam o Sahel, a América Central e o Caribe.
Desde maio, o PMA acionou programas de prevenção no Sudão do Sul, Chade, Mauritânia, Uganda, Guatemala e El Salvador, com mais de US$ 14 milhões destinados a cerca de 500 mil pessoas. A agência afirma que suas ações antecipadas já alcançaram mais de 1,3 milhão de pessoas em 18 países neste ano e estima que cada dólar investido em prevenção pode evitar de US$ 3 a US$ 7 em perdas e custos humanitários futuros.
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